SENTENÇA PROFERIDA EM 1487 NO PROCESSO CONTRA O PRIOR DE TRANCOSO
(Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5.0, maço 7)
«Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos.»
«Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres.»
«El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou pôr em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo.»
12 janeiro, 2006
22 dezembro, 2005
Última hora: Natal comprometido!
06 dezembro, 2005
Os insondáveis caminhos da Igreja
Fiquei recentemente muito mais descansado.
O Papa Bento XVI decretou que as crianças não baptizadas já podem ir para o céu quando morrerem, ao invés de ficarem num limbo entre o céu e o inferno, "entre as dez e as onze" por assim dizer.
Ora aqui está uma maravilhosa notícia. Quantos pais angustiados não terão agora muito mais conforto quando por doença grave, acidente ou agressão da sociedade os seus filhos falecerem, sabendo que os pobres infantes irão directamente para o Paraíso, para a terra onde escorre o leite e o mel sem cessar.
Porém, há sempre um mas.
Então e todas as criancinhas que já deixaram este mundo de há dois mil anos a esta parte, já para não falar nos milhares de anos em que a humanidade sobreviveu (nem sei como...) antes de aparecer a Igreja de Roma? Entram também ou a medida não tem efeitos retroactivos? Imagino que o sítio em que estavam - onde quer que isso fosse - estaria a rebentar pelas costuras de tantas e tantas alminhas que continha.
Felizmente que o Papa tomou esta importante medida de gestão, senão a coisa iria ficar insustentável. Aliás, o alcance desta resolução é de visão para o futuro, pois nos tempos que correm é mais fácil um camelo entrar no reino dos céus do que qualquer ser humano e assim não se corre o risco de o Paraíso sofrer uma quebra demográfica, que seria a todos os títulos deveras inconveniente.
Ocorre-me o título de uma obra sobre a mitologia grega: "Acreditavam os gregos nos seus deuses?"
O Papa Bento XVI decretou que as crianças não baptizadas já podem ir para o céu quando morrerem, ao invés de ficarem num limbo entre o céu e o inferno, "entre as dez e as onze" por assim dizer.
Ora aqui está uma maravilhosa notícia. Quantos pais angustiados não terão agora muito mais conforto quando por doença grave, acidente ou agressão da sociedade os seus filhos falecerem, sabendo que os pobres infantes irão directamente para o Paraíso, para a terra onde escorre o leite e o mel sem cessar.
Porém, há sempre um mas.
Então e todas as criancinhas que já deixaram este mundo de há dois mil anos a esta parte, já para não falar nos milhares de anos em que a humanidade sobreviveu (nem sei como...) antes de aparecer a Igreja de Roma? Entram também ou a medida não tem efeitos retroactivos? Imagino que o sítio em que estavam - onde quer que isso fosse - estaria a rebentar pelas costuras de tantas e tantas alminhas que continha.
Felizmente que o Papa tomou esta importante medida de gestão, senão a coisa iria ficar insustentável. Aliás, o alcance desta resolução é de visão para o futuro, pois nos tempos que correm é mais fácil um camelo entrar no reino dos céus do que qualquer ser humano e assim não se corre o risco de o Paraíso sofrer uma quebra demográfica, que seria a todos os títulos deveras inconveniente.
Ocorre-me o título de uma obra sobre a mitologia grega: "Acreditavam os gregos nos seus deuses?"
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