Depois de ter afirmado - quiçá baseado em aprofundada experiência em ambos os temas - que o aborto é igual ao terrorismo, eis que Bento XVI volta ser notícia ao mostrar-se incomodado com o facto de as pessoas festejarem efusivamente a passagem do ano, por considerar que ao fazê-lo estão a optar pela ilusão e a afastar-se da realidade.
Bom, alguém deveria explicar-lhe que a ideia é mesmo essa.
Decerto que a passagem de um ano para outro é apenas o resultado de convenções adaptadas a partir dos movimentos de rotação e translação do planeta Terra em torno do Sol. Decerto que mesmo o ciclo das estações do ano tem maior interesse prático para a agricultura, para a pecuária ou para a jardinagem do que para o citadino que participa entusiásticamente nos festejos de fim de ano. Decerto que estamos a falar fundamentalmente de outro período de 365 dias, com 24 horas de duração cada um, portanto nada de verdadeiramente extraordinário.
Porém, a verdade é que, como referem as Escrituras, nem só de pão vive o homem. Vive também de esperança.
Quando finda um ano, um banalíssimo período de 365 dias, as pessoas sentem chegar o final de um ciclo. E encaram o novo cômputo de 365 dias com a esperança de que as coisas corram melhor do que no anterior. É algo tão intrínseco para o ser humano como dormir.
Isto porque a alternativa é demasiado cruel para ser sequer contemplada. A alternativa seria nada mudar, tudo ser igual, a infelicidade manter-se ou piorar. Daí que as pessoas prefiram encarar o novo ano com a esperança de melhorias na sua vida, simbolizando isso com a alegria esfuziante com que aderem aos rituais de passagem de ano. E, ainda que não festejem na rua, têm sempre, no mínimo, uma certa dose de prudente optimismo para encarar o dia 2 de Janeiro.
11 janeiro, 2007
10 janeiro, 2007
Aconteceu no Iraque!
Saddam Hussein foi executado.
Estranho não ler aqui neste espaço as habituais vozes indignadas. Ter-lhes-á passado despercebido? Seria uma soberana oportunidade de bater em Bush, em Israel e no Ocidente.
A verdade é que os altos representantes iraquianos não perderam tempo em vingar-se do tirano que os atormentou durante várias décadas. Com o beneplácito dos americanos, é certo, mas também e fundamentalmente por iniciativa própria, Saddam tinha as mãos bem encharcadas com o sangue das milhares de pessoas que mandou matar em limpezas étnicas, na guerra contra o Irão e na invasão do Kuwait ou por acção da sua polícia secreta. Os números falam por si: 600 mil mortos nas agressões ao Irão e ao Kuwait; 5000 mortos num só dia e 12 mil em três dias nos ataques com armas químicas no Irão e no Curdistão em 1988; entre 1983 e 1988, como resultado de 300 raides químicos, 5000 pessoas morreram e cerca de 100 mil continuam a sofrer as consequências; execução de milhares de prisioneiros de guerra iranianos; limpezas étnicas de curdos, xiitas e outros árabes, com mais de 160 mil mortos; eliminação física e tortura de adversários políticos, reais ou imaginários.
Já para não falar do nepotismo! A afirmação de alguns apoiantes de Saddam de que este partilhava as riquezas do Iraque com a nação árabe, só pode ser considerada anedota. Pois se a própria população iraquiana vivia (e ainda vive) na maior miséria, enquanto que o ditador tinha as torneiras dos WC's dos seus muitos palácios forradas a ouro!
Este era Saddam Hussein!
Dito isto, reafirmo que a invasão do Iraque foi um tremendo erro estratégico por parte dos EUA, do qual dificilmente conseguirão safar-se. Isto porque não podem simplesmente retirar as tropas e vir-se embora. Têm que deixar o país pacificado e com um governo viável, o que significa que têm que derrotar a guerrilha e impedir que a guerra civil de baixa intensidade que actualmente se verifica se transforme numa guerra generalizada entre xiitas e sunitas. Em causa não está apenas a credibilidade dos americanos - que sendo naturalmente um problema menor no cenário iraquiano é ainda assim um problema a ter em conta em termos globais - que ficaria seriamente abalada com a vitória dos radicais, mas também a estabilidade na região e, por acréscimo, no mundo, pois se a Al-Qaeda consegue ganhar o braço-de-ferro com Bush através da guerrilha iraquiana ganhará também estatuto junto dos jovens das comunidades muçulmanas ocidentais, facilmente recrutáveis, e um outro fôlego para poder enfim atingir o seu ojectivo máximo que é fazer retornar o Ocidente a uma pré Idade Média.
No meio disto tudo, saliente-se a coragem de um povo que, mau grado os atentados que o pretendem desmoralizar, escolheu manter-se firme perante a adversidade votando massivamente nas primeiras eleições livres e aguentando estoicamente todo o mal que alguns dos seus conterrâneos (bem como outros alucinados que julgam prestar um grande serviço a Allah matando indiscriminadamente) insistem em infligir-lhes. A coragem dos condutores de ambulâncias, por exemplo, que indiferentes à sua própria integridade, avançam para o local em que ocorreu mais um atentado para recolher os feridos e os cadáveres. Muitas vezes são apanhados no fogo cruzado; outras são assaltados e as ambulâncias roubadas para serem armadilhadas e lançadas para o meio da população; outras ainda sofrem directamente as explosões dos morteiros que os radicais perversamente lançam em segunda vaga para apanhar e estropiar os que se reuniram para socorrer as vítimas da primeira vaga.
Como dizia uma das vítimas dessas explosões, ainda sob o efeito do choque, custa a crer que muçulmanos façam isto a outros muçulmanos, mas é assim que agem os fanáticos.
Estranho não ler aqui neste espaço as habituais vozes indignadas. Ter-lhes-á passado despercebido? Seria uma soberana oportunidade de bater em Bush, em Israel e no Ocidente.
A verdade é que os altos representantes iraquianos não perderam tempo em vingar-se do tirano que os atormentou durante várias décadas. Com o beneplácito dos americanos, é certo, mas também e fundamentalmente por iniciativa própria, Saddam tinha as mãos bem encharcadas com o sangue das milhares de pessoas que mandou matar em limpezas étnicas, na guerra contra o Irão e na invasão do Kuwait ou por acção da sua polícia secreta. Os números falam por si: 600 mil mortos nas agressões ao Irão e ao Kuwait; 5000 mortos num só dia e 12 mil em três dias nos ataques com armas químicas no Irão e no Curdistão em 1988; entre 1983 e 1988, como resultado de 300 raides químicos, 5000 pessoas morreram e cerca de 100 mil continuam a sofrer as consequências; execução de milhares de prisioneiros de guerra iranianos; limpezas étnicas de curdos, xiitas e outros árabes, com mais de 160 mil mortos; eliminação física e tortura de adversários políticos, reais ou imaginários.
Já para não falar do nepotismo! A afirmação de alguns apoiantes de Saddam de que este partilhava as riquezas do Iraque com a nação árabe, só pode ser considerada anedota. Pois se a própria população iraquiana vivia (e ainda vive) na maior miséria, enquanto que o ditador tinha as torneiras dos WC's dos seus muitos palácios forradas a ouro!
Este era Saddam Hussein!
Dito isto, reafirmo que a invasão do Iraque foi um tremendo erro estratégico por parte dos EUA, do qual dificilmente conseguirão safar-se. Isto porque não podem simplesmente retirar as tropas e vir-se embora. Têm que deixar o país pacificado e com um governo viável, o que significa que têm que derrotar a guerrilha e impedir que a guerra civil de baixa intensidade que actualmente se verifica se transforme numa guerra generalizada entre xiitas e sunitas. Em causa não está apenas a credibilidade dos americanos - que sendo naturalmente um problema menor no cenário iraquiano é ainda assim um problema a ter em conta em termos globais - que ficaria seriamente abalada com a vitória dos radicais, mas também a estabilidade na região e, por acréscimo, no mundo, pois se a Al-Qaeda consegue ganhar o braço-de-ferro com Bush através da guerrilha iraquiana ganhará também estatuto junto dos jovens das comunidades muçulmanas ocidentais, facilmente recrutáveis, e um outro fôlego para poder enfim atingir o seu ojectivo máximo que é fazer retornar o Ocidente a uma pré Idade Média.
No meio disto tudo, saliente-se a coragem de um povo que, mau grado os atentados que o pretendem desmoralizar, escolheu manter-se firme perante a adversidade votando massivamente nas primeiras eleições livres e aguentando estoicamente todo o mal que alguns dos seus conterrâneos (bem como outros alucinados que julgam prestar um grande serviço a Allah matando indiscriminadamente) insistem em infligir-lhes. A coragem dos condutores de ambulâncias, por exemplo, que indiferentes à sua própria integridade, avançam para o local em que ocorreu mais um atentado para recolher os feridos e os cadáveres. Muitas vezes são apanhados no fogo cruzado; outras são assaltados e as ambulâncias roubadas para serem armadilhadas e lançadas para o meio da população; outras ainda sofrem directamente as explosões dos morteiros que os radicais perversamente lançam em segunda vaga para apanhar e estropiar os que se reuniram para socorrer as vítimas da primeira vaga.
Como dizia uma das vítimas dessas explosões, ainda sob o efeito do choque, custa a crer que muçulmanos façam isto a outros muçulmanos, mas é assim que agem os fanáticos.
11 dezembro, 2006
Outra vez Israel?!
Meu caro Ramdas
O que eu acho estranho é esta preocupação tão grande com Israel!
É certo que a ideia peregrina de exportar a democracia ocidental para países que não têm inserido esse conceito na sua cultura seria um exercício de futilidade se não fossem os milhares de soldados ocidentais que já morreram (é bom que não o esqueçamos antes de começar a bater no Ocidente) quer no Iraque quer no Afeganistão.
A região do Médio Oriente sempre se caracterizou por uma rivalidade intensa entre povos, clãs, grupos religiosos, etc., etc., desde os tempos mais remotos. Por exemplo, a causa principal que proporcionou a vitória fulgurante das Cruzadas numa primeira fase, foi exactamente a rivalidade interna entre os povos muçulmanos, que, conforme as suas conveniências, ora se aliavam com os Francos ora os combatiam; só venceram quando formaram uma frente unida. Actualmente está em risco a eclosão de uma guerra civil não entre os americanos e/ou israelitas capitalistas e exploradores e as massas humildes (como refere), mas entre xiitas e sunitas, com toda a instabilidade que isso implica para a região já que todos os países da área têm componentes de ambos os grupos religiosos nas suas populações. E não me preocupam apenas os eventuais cortes na produção petrolífera daí resultantes (os quais, para a economia portuguesa, serão sempre fonte de angústia), mas encaro com muito maior apreensão o desastre humanitário que certamente advirá de mais uma guerra religiosa. E não me vão convencer que a culpa é de Bush ou dos Judeus.
Por outro lado, continua-se a bater em Israel, como se a culpa de todos os infortúnios dos muçulmanos se resumisse à acção israelita. Há que não esquecer que a actividade dos grupos radicais (Hamas, Hizballah, Jihad Islâmica, e quejandos) contribui em larga medida para a violência que todos os dias assola o Líbano, a Palestina, a Faixa de Gaza, etc., etc. É fácil indignarmo-nos com as vítimas civis que surgem a cada raid israelita, esquecendo, porém, que não se trata de uma guerra convencional com exércitos perfeitamente alinhados e objectivos militares perfeitamente definidos; trata-se outrossim de uma guerra de guerrilha urbana em que os radicais árabes (os guerrilheiros, para os mais distraídos) não têm problemas em lançar os seus mísseis a partir de zonas residenciais, sabendo perfeitamente que a retaliação israelita que visará a sua destruição vai atingir gente inocente. Também é certo que, se não têm problemas de consciência em atacar indiscriminadamente quando lançam os seus mísseis ou fazem detonar as suas bombas (não me lembro, por exemplo, de igual indignação por parte das mentes caridosas que actualmente condenam Israel se ter verificado quando os bombistas suicidas se fizeram explodir em autocarros cheios de gente em Tel Aviv), também não os terão em utilizar os seus conterrâneos como escudos humanos.
O problema de fundo do Médio Oriente tem que ver com a rápida modernização económica trazida pela globalização (que quer queiramos quer não, veio para ficar) que transformou completamente a vida dos povos. Como sempre acontece quando se verificam mudanças de fundo na sociedade, há resistências; as pessoas não gostam de ver uma transformação repentina e radical do seu modo de vida, fazendo com que, de uma assentada, saiam da Idade Média e entrem numa modernidade em tudo diferente daquilo que conhecem, deixando-as sem pontos de referência. Refugiam-se por isso naquilo que lhes é familiar: a religião. Isso é aproveitado por clérigos de vistas curtas e com os mesmos problemas de adaptação (agravados pelo receio de perca de poder), que facilmente conseguem inflamar os ânimos e tirar partido da frustração alimentando-a com um bode expiatório: o Ocidente em geral e Israel em particular. É uma fórmula de resultados comprovados que tem sido muito usada ao longo da História e da qual são exemplos infames Hitler e Estaline, entre muitos outros. A modernidade talvez não seja equivalente à criação do paraíso sobre a terra, mas é certamente muito mais justa que os sistemas baseados numa visão "ao pé da letra" de textos religiosos escritos há milhares de anos quando a vida era substancialmente diferente e que, de modo geral, tudo permitem ao homem e tudo negam à mulher.
Também no Ocidente teríamos esse problema se não tivesse ocorrido a Revolução Francesa, que, mau grado os seus excessos, propagou a separação entre Igreja e Estado, cortando cerce e violentamente o ascendente da primeira sobre a sociedade. Aquilo que actualmente vislumbramos é só uma pálida imagem do poder que a Santa Sé detinha nesses recuados tempos. Ainda assim, será útil atentar nos discursos de Bento XVI que não apenas contrastam de forma flagrante com o ecumenismo promovido por João Paulo II, como reflectem essa visão exclusivamente teológica (roçando o fanatismo) do mundo.
Por tudo isto, penso que já é tempo de deixar de bater em Israel e dar alguns puxões de orelhas nos radicais árabes.
O que eu acho estranho é esta preocupação tão grande com Israel!
É certo que a ideia peregrina de exportar a democracia ocidental para países que não têm inserido esse conceito na sua cultura seria um exercício de futilidade se não fossem os milhares de soldados ocidentais que já morreram (é bom que não o esqueçamos antes de começar a bater no Ocidente) quer no Iraque quer no Afeganistão.
A região do Médio Oriente sempre se caracterizou por uma rivalidade intensa entre povos, clãs, grupos religiosos, etc., etc., desde os tempos mais remotos. Por exemplo, a causa principal que proporcionou a vitória fulgurante das Cruzadas numa primeira fase, foi exactamente a rivalidade interna entre os povos muçulmanos, que, conforme as suas conveniências, ora se aliavam com os Francos ora os combatiam; só venceram quando formaram uma frente unida. Actualmente está em risco a eclosão de uma guerra civil não entre os americanos e/ou israelitas capitalistas e exploradores e as massas humildes (como refere), mas entre xiitas e sunitas, com toda a instabilidade que isso implica para a região já que todos os países da área têm componentes de ambos os grupos religiosos nas suas populações. E não me preocupam apenas os eventuais cortes na produção petrolífera daí resultantes (os quais, para a economia portuguesa, serão sempre fonte de angústia), mas encaro com muito maior apreensão o desastre humanitário que certamente advirá de mais uma guerra religiosa. E não me vão convencer que a culpa é de Bush ou dos Judeus.
Por outro lado, continua-se a bater em Israel, como se a culpa de todos os infortúnios dos muçulmanos se resumisse à acção israelita. Há que não esquecer que a actividade dos grupos radicais (Hamas, Hizballah, Jihad Islâmica, e quejandos) contribui em larga medida para a violência que todos os dias assola o Líbano, a Palestina, a Faixa de Gaza, etc., etc. É fácil indignarmo-nos com as vítimas civis que surgem a cada raid israelita, esquecendo, porém, que não se trata de uma guerra convencional com exércitos perfeitamente alinhados e objectivos militares perfeitamente definidos; trata-se outrossim de uma guerra de guerrilha urbana em que os radicais árabes (os guerrilheiros, para os mais distraídos) não têm problemas em lançar os seus mísseis a partir de zonas residenciais, sabendo perfeitamente que a retaliação israelita que visará a sua destruição vai atingir gente inocente. Também é certo que, se não têm problemas de consciência em atacar indiscriminadamente quando lançam os seus mísseis ou fazem detonar as suas bombas (não me lembro, por exemplo, de igual indignação por parte das mentes caridosas que actualmente condenam Israel se ter verificado quando os bombistas suicidas se fizeram explodir em autocarros cheios de gente em Tel Aviv), também não os terão em utilizar os seus conterrâneos como escudos humanos.
O problema de fundo do Médio Oriente tem que ver com a rápida modernização económica trazida pela globalização (que quer queiramos quer não, veio para ficar) que transformou completamente a vida dos povos. Como sempre acontece quando se verificam mudanças de fundo na sociedade, há resistências; as pessoas não gostam de ver uma transformação repentina e radical do seu modo de vida, fazendo com que, de uma assentada, saiam da Idade Média e entrem numa modernidade em tudo diferente daquilo que conhecem, deixando-as sem pontos de referência. Refugiam-se por isso naquilo que lhes é familiar: a religião. Isso é aproveitado por clérigos de vistas curtas e com os mesmos problemas de adaptação (agravados pelo receio de perca de poder), que facilmente conseguem inflamar os ânimos e tirar partido da frustração alimentando-a com um bode expiatório: o Ocidente em geral e Israel em particular. É uma fórmula de resultados comprovados que tem sido muito usada ao longo da História e da qual são exemplos infames Hitler e Estaline, entre muitos outros. A modernidade talvez não seja equivalente à criação do paraíso sobre a terra, mas é certamente muito mais justa que os sistemas baseados numa visão "ao pé da letra" de textos religiosos escritos há milhares de anos quando a vida era substancialmente diferente e que, de modo geral, tudo permitem ao homem e tudo negam à mulher.
Também no Ocidente teríamos esse problema se não tivesse ocorrido a Revolução Francesa, que, mau grado os seus excessos, propagou a separação entre Igreja e Estado, cortando cerce e violentamente o ascendente da primeira sobre a sociedade. Aquilo que actualmente vislumbramos é só uma pálida imagem do poder que a Santa Sé detinha nesses recuados tempos. Ainda assim, será útil atentar nos discursos de Bento XVI que não apenas contrastam de forma flagrante com o ecumenismo promovido por João Paulo II, como reflectem essa visão exclusivamente teológica (roçando o fanatismo) do mundo.
Por tudo isto, penso que já é tempo de deixar de bater em Israel e dar alguns puxões de orelhas nos radicais árabes.
Subscrever:
Mensagens (Atom)