17 novembro, 2008

O que é o Conceito de Idade?

- Sistematizar o tempo histórico.

Há já mais de quatro milhões de anos que o homem surge na terra cuja existência, muito mais antiga, comprovadamente vai até aos 4.600 milhões de anos. Pouco a pouco, os homens ergueram-se e aprenderam a equilibrar-se de pé. Andam, utilizam as mãos para fabricar utensílios em pedra e, ainda nus, iniciam a sua vivência de grupo. Desses longínquos tempos até aos nossos dias a grande aventura do homem não mais parou de nos maravilhar, superando-se e surpreendendo-nos em expectativas, questões válidas e pertinentes. A partir do final do séc. XVIII, a história, enquanto sitematização, dos factos e das ocorrências registadas no passado, fruto da racionalização do homem, leva os historiadores e os investigadores a uma definição de grandes linhas de pensamento, de investigação e de períodos da avaliação e observação desse mesmo passado. Em 1851, Daniel Wilson, numa obra intitulada “The Archaeology and Prehistoric Annals of Scotland” e, anos mais tarde, em 1865, John Lubbock, no livro “Prehistoric Times”, utilizam e popularizam pela primeira vez, respectivamente, o termo ‘pré-história’. Daí para cá o conceito de datação do estudo científico de determinados grandes períodos da história, prefeitamente limitados entre si e com matrizes identidárias comuns tem sido uma necessidade comum a todos os investigadores. O seu enquadramento, sitematização, avaliação e caracterização, não deixou ainda de evoluir, sempre em função dos novos olhares e novos conhecimentos, que de dia para dia, surgem com novas leituras e novas abordagens! Assim, e anterior ao aparecimento da escrita, temos a Pré-História, desde 4 milhões de anos até aos 8.000 a.C.; com o aparecimento da escrita, na Mesopotâmia, incia-se a História, propriamente dita, com a Antiguidade, dividida em grandes áreas de estudo, entre outras, como as civilizações pré-clássicas e clássicas, desde cerca de 3.500 a.C. até 476 d.C.; a partir do séc. III, com as invasões bárbaras da Europa até ao século XIV, estamos perante o grande fresco da Idade Média; a Idade Moderna, pode-se avaliar e centrar num largo período de tempo que medeia entre o início do Renascimento Europeu e a Revolução Francesa, cujo marco histórico fundacional se pode achar na Tomada da Bastilha, a 14 de Julho de 1789; a Idade ou época Contemporânea, acha-se a partir da chamada Revolução Industrial e do fim do império napoleónico até aos tempos que nos coube em sorte viver.
Claro que, ao afirmar que estes grandes conceitos ou definições da história, ou melhor, da idade da história, estão balizados por este ou aquele acontecimento, apenas nos limitamos a percorrer um caminho que nos é indicado pela grande maioria dos autores que versaram estas matérias… por exemplo, no que se prende com a Idade Contemporânea, tomamos como fiável aquilo que nos indica Waldemar Besson[1], quando afirma: “Ao contrário do conhecimento científico de outras épocas, que insistentemente se tem vindo a precisar e cinzelar, o estudo e a exposição da história contemporânea (-Periodização, história contemporânea) está, como é natural, ainda nos começos. Da história mais recente falta-nos ainda perspectiva de conjunto que possa reivindicar para si a missão de servir de guia a gerações vindouras, indicando-lhes o caminho de interpretação válida.”. E, na nossa modéstia de eterno aluno, acrescentaremos, que para o estudo da Idade Contemporânea, que o próprio Besson[2], afirma iniciar-se de 1914 em diante, não menos importante será o necessário distanciamento dos e sobre os acontecimentos, na vã tentativa de evitar a pessoalização, a idealização ou a natural associação às convicções ou ideologias do observador e investigador.
Mas, até aqui, outros autores divergem…



[1] Besson, Waldemar, (Coord.), “História”, Lisboa, Editora Meridiano, 1979, pag. 304
[2] idem

2 comentários:

Pedro Araujo disse...

V. M. Godinho divide a História de Portugal em períodos, devidamente justificados através de uma série de factores: sociais, políticos, económicos,geográficos que todos em tempos diferentes, ou mais próximos, vão provocando mudanças estruturais. Este exercicio de divisão da história poderia muito bem ser feito com a história Universal.
(vale a pena ver: "os complexos histórico-geográficos", talvez inserido numa outra obra dele-sei que nos "ensaios" os complexos histórico-geográfico estão presentes)

Jonas disse...

Bom podemos conceituar a história como a narração da critíca dos fatos da humanidade. Esses dados que você acabou de nos falar com esse texto servem para facilitar o estudo da história, mas é importante saber que a história é um processo dinâmico, em contínua transformação e para o qual todos seres humanos contribuem. Muito gostei dá uma passada no meu blog
universalgospel.blogspot.com