15 janeiro, 2011

Visita ao megalitismo alentejano



No dia 15 de Janeiro de 2011, os alunos do primeiro ano do curso de História da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, juntamente com os Professores Paulo Mendes Pinto e Teótonio R. De Souza, realizaram uma visita de estudo a Évora com o objectivo de conhecer os principais monumentos da cidade e dos arredores que fazem parte da sua história.

Começámos, por visitar o Cromeleque dos Almendres, que se situa a alguns quilómetros de Évora e é considerado o monumento megalítico com maior importância da Península Ibérica e um dos de maior relevo de toda a Europa, devido à sua dimensão e ao seu estado de conservação. A construção do Cromeleque foi faseada, sendo a primeira no final do sexto milénio a.C e a última no terceiro milénio a.C. Nele destacam-se: a pedra fértil, a pedra altar, a pedra dos pontos cardeais, a pedra rosa, a pedra da Cara, a pedra principal (casamento, apresentando duas serpentes) e a pedra dos báculos.

A um quilómetro e meio do Cromeleque situa-se o Menir dos Cromeleques, que também visitámos, que data do início do Neolítico, e é uma pedra colocada verticalmente que possui dois metros de altura e mais do que está enterrado a fim de esta ficar estável. Acredita-se que para mover tal menir foram precisas dezenas de pessoas a trabalhar ao mesmo tempo.

Os historiadores e arqueólogos acreditam que este monumento e o anterior estão relacionados e que as pedras não estão colocadas ao acaso, pois estão viradas num plano directo para o sol, como se olhassem para o espaço, para o cosmos, simbolizando a fertilidade.

O Menir de Almendres ostenta no terço superior um báculo e uma faixa de linhas onduladas.

Já em Évora, conhecemos a Anta do Zambujeiro que é a maior anta da Península Ibérica e possivelmente da Europa. É um monumento megalítico construído entre 4000 e 3500 a.C e consiste numa única câmara de forma poligonal, utilizada no neolítico como um local de culto religioso e de enterro. A entrada estava marcada por um enorme menir, que actualmente está tombado. Possui uma mamoa, (com o formato aproximado de uma calote esférica) à volta com o fim de a proteger da erosão.

Actualmente é considerado Património de Interesse Nacional, pois glorifica a aptidão técnica e a complexidade da estrutura social das populações neolíticas que o edificaram.

Seguidamente fizemos uma pausa para almoçar no Hotel D.Fernando e depois dirigimo-nos para a Igreja de São Francisco, uma igreja de arquitectura manuelina, construída entre os séculos XV e XVI, existindo dúvidas sobre quem a construiu. Está profundamente ligada aos factos históricos que assinalaram o período de expansão marítima de Portugal, devido aos inúmeros símbolos que possui: desde a Cruz da Ordem de Cristo até aos emblemas dos reis fundadores – D. João II e D. Manuel I.

A Igreja possui uma sala do Capítulo e quatro capelas: a Capela-Mor, a Capela da Ordem Terceira, a Capela de São Joãozinho e a tão conhecida Capela dos Ossos.

A Capela dos Ossos foi construída no século XVI devido a uma iniciativa de três frades (da Ordem Franciscana) que pretendiam transmitir a mensagem da vida efémera. Era, por isso, um espaço de oração e meditação sobre a transitoriedade da vida humana. Possui oito pilares, que tal como as suas paredes, apresentam ossos e caveiras ligados através de cimento, provenientes dos cemitérios locais. A Capela era dedicada ao Senhor dos Passos, conhecido em Évora como Senhor Jesus da Casa dos Ossos.

Em frente ao altar, à direita, encontra-se o túmulo de mármore dos três franciscanos mais importantes deste convento. É de salientar ainda a frase escrita no pórtico da capela: “nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”. Prosseguimos, depois para a Igreja da Graça também denominada Convento de Nossa Senhora da Graça. Representa um monumento religioso renascentista muito importante, sendo considerado atualmente como Monumento Nacional e também como Património Mundial. Foi construída nos inícios do século XVI e o seu projecto foi realizado pelo arquitecto da Casa Real, Miguel de Arruda. Trata-se de um exemplo mais puro da arte renascentista em Portugal, apesar de ter sido transformado em Quartel no século XIX, perdendo-se muitos dos seus valores sumptuários incluindo os seus painéis de azulejo que caracterizavam cenas da vida de Santo Agostinho. Actualmente, é a capelina da Região Militar Sul, tendo sido já restaurada no século XX, daí que ainda se possa notar as linhas renascentistas que a tornam num dos mais sublimes monumentos. Fomos também à Basílica de Évora, mais conhecida por Catedral que foi construída entre os séculos XII e XIII e trata-se de um monumento que espelha a transição do estilo românico para o estilo gótico, apresentando três enormes naves. Posteriormente, entre os séculos XV e XVIII foi melhorada, recebendo em 1930 o título de Basílica Menor pelo Papa Pio XI.

Por último, visitamos o Templo de Diana construído no século I d.C no fórum de Évora e modificado nos dois séculos seguintes. Devido a uma lenda que nasceu no século XVII, associou-se o templo a uma deusa romana da caça, Diana, daí ser conhecido por Templo de Diana.

Todavia, sabe-se que o Templo foi construído em honra de Augusto, um imperador venerado como um deus durante todo o seu reinado e até mesmo após a sua morte. Será mais correcto designar simplesmente por Templo Romano, atualmente classificado como Património Mundial pela UNESCO.

É de salientar o fato de o templo se encontrar em ruínas, pois com a invasão dos povos germânicos no século V, foi destruído. Posteriormente, as ruínas do templo estiveram embutidas numa torre do Castelo de Évora desde a Idade Média até ao século XIX, quando os acréscimos medievais foram retirados e procedeu-se ao trabalho de restauração sob a orientação do arquitecto Giuseppe Cinatti.

O Templo original tinha uma base rectangular e catorze colunas ainda de pé apresentando maior parte delas. Os seus capitéis são do estilo coríntio feitos de mármore branco de Estremoz, ao contrário das colunas que são feitas de granito.

Após um longo dia dedicado ao conhecimento do legado da cidade de Évora, regressámos a Lisboa ao fim da tarde.


- Vitor Fuseta

Ver as fotos da viagem aos cromeleques e aos menires de Almendres, bem como à anta grande de Zambujeiro e aos monumentos romanos e outros de Évora.
Mais fotos (Catarina Vaz) http://bit.ly/eGMyMR e http://bit.ly/e8Y8jZ
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1 comentário:

Fatinha disse...

Estive presente nesta visita. Foi muito proveitosa. Como não tinha conhecido os cromeleques, menir e anta e com as explicações recebidas, com mais valor senti a visita! Obrigada!