02 julho, 2005

Viagem no Tempo

Conhecer Pernambuco é viajar no tempo. Pena que para trás, por algumas e decisivas razões, pelas que falei na "Era do Branco" e por outras que se prendem, para começar, com as acentuadas diferenças entre homem e mulher. O homem é macho aqui em Pernabuco: mata ou esfola quando a mulher trai, não paga a pensão dos filhos quando abandona a mulher e tem amantes no casamento.
O Motel pernambucano tem uma função que ajuda a constatar a promiscuidade social, pelo menos naquele estado brasileiro, senão em muitos outros. A Garota de Programa entra também na lista verdadeiramente supreendente das mais recentes instituições pernambucanas.
No Motel, o deputado federal, o delegado de polícia, o político eminente, o cantor famoso, mas também o trabalhador mais modesto, encontra as sua amante, seja a Garota de Programa mais cara, a amante habitual ou a namorada de ocasião, conhecida naquela noite no show de "Brega" (música de qualidade duvidosa, onde homem e mulher se agarram e se movimentam com grande sensualidade, em ritmo calmo).
A Garota de Programa devia ter sindicato e outras regalias sociais, tal a quantidade existente. Talvez até devesse ter acesso ao poder político. As condições socio-económicas, o desemprego e a sociedade machista deixa-lhes poucas alternativas. Uma delas é a de venderem o corpo, o único "bem" que verdadeiramente é seu, nesta sociedade desiquilibrada.
Neste mundo de homens-machos que é Pernambuco existem crianças de 4 e 5 anos a trabalhar o dia todo, a descascar castanha de cajú e outras de 10 anos a praticar sexo oral por 10 centavos de real (3 cêntimos de euro) aos automobilistas-machos que viajam pelo interior do estado.
Quando cheguei não queria acreditar que o Estado de Pernambuco fosse o menos desenvolvido do Brasil, como então lia nos jornais. A "pátria" de Maurício de Nassau?! O Pernambuco das revoltas e revoluções?! Aquela capitania bem sucedida do séc. XVI?! Esta Recife tão aparentemente sã, com o moderno bairro de Boa Viagem, o turístico Porto de Galinhas, a histórica Olinda será asim tão mau?
A resposta é esta: é bem pior...
Quase tudo falhou em Pernambuco e a "culpa" já não pode ser atribuída aos portugueses, ainda hoje referidos nos manuais escolares como "os que levaram o nosso ouro". Portugal, com aproximadamente a mesma área e população do Estado de Pernambuco, é-lhe infinitamente superior em segurança, qualidade de vida e igualdade social, pelo menos.
O alcool, a cola (a droga dos miúdos pobres, que cheiram em público, enquanto pedem esmola), a maconha são consumidos em grandes quantidades. Os assassinatos, os roubos sucedem-se a um ritmo inaceitável. A degradação atinge aqui o seu ponto alto.
Deus não é pernambucano, nem quando o Brasil é campeão do mundo de futebol nem quando as suas deslumbrantes mulheres se passeiam no Shopping Recife ou no calçadão de Boa Viagem, gingando graciosamente, com belos pares de pernas e proeminetes glúteos, em momentos de magia, que por alguns instantes conseguem fazer esquecer a realidade.

1 comentário:

Pedro Machado disse...

Será que Deus é português?

Da minha experiência tive que aceitar durante muito tempo que Deus dos católicos era europeu, se não necessariamente português. Muitos candidatos para o sacerdócio eram chumbados se não tivessem capacidade para dominar o latim. Isto até o concilio Vaticano II que teve lugar logo após a descolonização dos asiáticos. A descolonização dos Africanos tinha pouca importância, porque era insignificante ou nulo o número dos padres africanos até os anos 80 do século passado. Depois do Vaticano II Deus dos católicos já compreendia outras línguas para além do Latim!?
Admira-se a capacidade dos nossos egrégios avós ( e talvez pais também?) para manipular tudo e qualquer coisa para enganar e chular os asiáticos e africanos nas nossas ex-colónias. Agora estamos a sentir as consequências daquela capacidade. Ganharam-se hábitos de chicotear os outros, agora utilizamos os chicotes e caçadeiras em casa! Os hábitos não se perdem facilmente. Trocaram-se as vítimas!