29 outubro, 2008

Biblioteca Victor de Sá - Uma visita com História!

Lembro-me bem, de em pequeno, aí pelo fim da década de sessenta, inícios dos conturbados anos setenta, do século passado, ter em casa, propriedade de meu Pai, um livro da sempre recordada e inovadora editora “Portugália”, de pequeno formato, cujo autor era um tal Victor de Sá. Recordo este livro, cujo nome se perde nas brumas da minha memória, e mais ainda o nome do seu autor, pelo simples facto de, na época, ter inquirido os meus progenitores do porquê de aquele senhor que eu não conhecia ter o mesmo nome que eu, mas com grafias diferentes: no caso dele o nome próprio escrevia-se com um C entre o I e o T; no meu próprio nome, eu não possuía o tal enigmático C…

Por aqueles tempos, registei ainda dois outros factos: que o livro pertencia a uma colecção, absolutamente marcante no panorama editorial português da segunda metade deo século XX, a colecção ‘Portugália’, organizada e dirigida por Augusto da Costa Dias a quem nos ligava a amizade segura que mantinha com meu Pai e que, mais tarde, vim a descobrir como autor; e que, o já falado Victor de Sá, não era outro senão o Professor Universitário e célebre ensaísta português, de seu nome completo Victor Baptista Gomes de Sá, nascido em Cambeses, Barcelos, Minho, em 1921.

Por estes dias, em que, como aluno do primeiro ano da licenciatura de História, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, me foi dada a oportunidade de, enquanto discente da disciplina de
Introdução à História – I, visitar pela primeira vez, a Biblioteca Central Victor de Sá, revisitei estas memórias avulsas e fui indagar com mais profundidade o que poderia, desde logo, acrescentar ao meu conhecimento sobre o Homem de Cultura que deu nome a esta biblioteca.

Victor de Sá (1), inciou a sua carreira profissional em Braga, precisamente com vinte anos, em 1941, tendo começado a trabalhar no ramo livreiro. Só em 1959, obteve na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a sua licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, tendo-se doutorado em Paris, dez anos depois, em História. Já depois do 25 de Abril de 1974, exerceu a docência nas universidades publicas de Braga e do Porto e, ainda, em universidades privadas em Lisboa, como é o caso da nossa Universidade Lusófona.

Victor de Sá, deixará o seu nome ligado à Academia e, também, às letras com vários títulos, sobretudo no campo da cultura, política contemporânea e política colonial portuguesa, desde o período do triunfo do liberalismo até aos períodos mais recentes da nossa História.

Foi pois, com alguma emoção, muito respeito e uma profunda veneração pelo Homem que deu nome a esta Biblioteca que iniciei esta primeira visita em que fomos acompanhados pela Professora Doutora Olga Iglésias.
Instalações modelares, modernas, confortáveis e muito funcionais, convidativas à leitura, estudo e investigação, esta Biblioteca poderá e deverá constituir uma importante e facilitadora ferramenta de trabalho para todos quantos agora iniciamos a nossa grande aventura no campus universitário. Depois das explicações gerais sobre os métodos e sistemas de arquivo da biblioteca, depois de evidenciada, através da experimentação pessoal de todos os membros da turma, a busca informática, através do sítio da biblioteca, disponível no site da UL, foi tempo para uma visita guiada que se centrou, sobretudo, nas prateleiras da bibliografia ali depositada e abrigada na grande área da História.

Uma aula diferente, muito produtiva e entusiasmante pelas novas perspectivas e novos horizontes que nos são agora facultados para uma integração plena e frutuosa.



1. – “Grande Enciclopédia Universal”, Vários Autores; Durclub, S.A.; Espanha, 2004; Volume 17; página 11654.

3 comentários:

Pedro Araujo disse...

Ó Vítor, a ver se ainda passo na Lusófona para o praxar.Agora a sério: boa escolha, o Curso de História da ULHT é óptimo e muito bem dirigido. Aprendi muito, ganhei muitas armas, fiz amigos...
Quanto ao Prof. Victor de Sá, a sua homenagem é justa. Já foi também homenageado na ULHT, há uns anos, numa cerimónia onde estive também, mas não sei se já fizeram um qualquer encontro onde se fale dele, sa sua obra, porque os mais novos não o conhecem. O Professor Teotónio não é meu secretário, mas se calhar sugeria-lhe que tomasse nota desta ideia.

Teotonio R. de Souza disse...

O desafio poderá ser democraticamente discutido pelos colegas do Vitor, e a decisão será asiatica-mente aceite pelo Director do Curso! Dr. Pedro Araújo poderá ser convidado como conferencista no evento.

Pedro Araujo disse...

Prof. Teotónio, sempre a empurrar-me para as luzes da ribalta...eu sou como o meu falecido pai, sou um homem de bastidores. Os holofotes fazem-se suar e o público atemoriza-me.
Qualquer tarefa nos bastidores, na organização, é aí que eu posso trabalhar e dar o meu melhor.
Porque não fazer desta turma de história a melhor de sempre e colocar alguns dos seus alunos a abordar as várias vertentes do percurso de Victor de Sá num encontro, onde, claro, estarei presente. Eu e os meus ex-colegas da Licenciatura em História, os da fornada de 2003...